segunda-feira, agosto 15, 2005

Que forma de acabar o fim de semana

Bem, eu queria que os meu neurónios acordassem... mas não era preciso ser de uma forma tão... bruta.

Tocou o telefone, era o Artur - o pai da Inês.

"Temos que falar sobre a escola da Inês"

"Sim. Nos infantários que achei de confiança e a increvi não havia vaga."

"Pois, aqui ao pé de minha casa há. Tu conheces, é bom. Ela fica comigo e o assunto fica resolvido"

Fiquei muda. Procurei desesperadamente palavras

Num segundo fiz um flash back a toda a nossa vida.

Durante o primeiro ano de separação não ficou uma noite com a filha e agora quer ficar sempre com ela. Marca tardes com ela, diz-lhe que a vem buscar e falta, mas agora diz que se sente capaz de ficar com ela.

"É no bem dela que temos que pensar. E se ela fica melhor comigo do que contigo não vejo porque não" diz-me ele.

Ele é da opinião que a Inês fica melhor com ele do que comigo. Uma opinião é uma opinião e deve ser considerada... mas apeteceu-me bater-lhe.

"Por isso é que a semana passada estavas tão preocupado se eu não estaria a trabalhar demais ou se estaria a sofrer de amor? Era para ficar bem numa barra de tribunal?"

Depois da conversa sobre a Inês, vem a conversa do que é que é meu, do que é que é dele... bens, matéria, coisas, objectos...

Quando decidimos que sairia eu de casa, trouxe 2 coisas: a Inês e a nossa mala de roupa. Nem olhei para mais nada. Nem para aquilo que eram objectos meus de solteira. Coisas que já tinham feito parte de uma vida anterior minha. Pensei que a ele fariam mais falta porque eles eram parte integrante do conforto que contruímos naquela casa.

Hoje falou-se nessas coisas na mesma conversa em que se fala da nossa Inês. Chocou-me. Eu continuei sem pedir nada... apenas quero a Inês.

Apeteceu-me gritar com o Mundo, arrancar cada fio de cabelo, um por um, para que a dor fisica fosse maior. Senti-me invadida por uma enorme solidão, como se ninguém fosse capaz de entender a dor que sinto.
Fui para o quarto e chorei.

Posted by Marília Pamies - Cake Designer at 9:43 da tarde

7 Comments

  1. Blogger Vampiria posted at agosto 16, 2005 12:17 da manhã  
    Abelhinha, neste momento, há um sentimento de impotência que invade o meu espirito, de não poder dizer nada que te possa ajudar numa situação como essa. Passei por uma situação de divórcio complicada depois de um casamento desastroso. Sei que é dificil. Mas deste ponto particular não sei.
    Apesar de se ter falado nisso, acabei por não ser mãe. Feliz ou infelizmente.
    Leio no teu post uma luta dura. Mas leio também uma mãe preocupada, ponderada e que ama a sua filha. Concerteza que a tua decisão vai ser o que será melhor para a Inês e que vais canalizar toda a tua força para que seja esse o caminho a tomar.
    Agora precisas tu de muito mel.
    Daqui segue um carregamento de
    beijinhos grandes para ti.
  2. Blogger Cristina posted at agosto 16, 2005 12:40 da manhã  
    Querida Abelhinha,

    Nestes momentos precisas da força dos amigos, e estamos aqui todos para te apoiar...

    Só te posso dizer, que já passei exactamente pelo mesmo que estás a passar, exactamente igual, até parece que estava a ler algo que tivesse escrito, e no final ficou tudo bem....O meu filho está comigo, tenho tudo que era meu e não só...

    Nestes casos, as coisas levam tempo a resolver, mas elas com tempo e com muita calma resolvem-se, só que nós na altura pensamos que é o fim do mundo, e ficamos tristes, entramos em panico, especialmente quando nos falam em tirar os nossos filhos, acho que isso é o pior sentimento, mas vais ver que nao acontecerá, e irás ter a Ines contigo....

    Um beijinhu com muito carinho para ti neste dia tão dificil para ti

    :)
  3. Blogger Ahraht posted at agosto 16, 2005 9:16 da manhã  
    Abelhinha, tem calma. Nestas situações as coisas baralham-se sempre. Confunde-se o essencial com o acessório e fazem-se grandes trapalhadas.

    Só se fores uma autêntica besta é que um juíz te tirará a Inês, e mesmo assim, é preciso muita coisa.

    Não desanimes. A Inês vai ficar com a mãe...isso é certo.

    Quanto à guerrinha vais ter que passar por ela, mas tudo passa... vais ver.

    Um prado cheio de flores para fazeres o teu mel.
  4. Blogger Ultimate_pt posted at agosto 16, 2005 11:20 da manhã  
    É verdade.
    Penso que deves continuar a lutar pela Inês e pela tua vida...não ligues ao que dizem as "más bocas",pois elas só querem o teu mal...e revolta-te sempre.Nunca fiques calada...liberta o que há em ti,pois penso que o Artur não está a levar-te em consideração e não é sincero.
    Beijos.
  5. Blogger Caracolinha posted at agosto 16, 2005 2:25 da tarde  
    Acima de tudo torna-se necessário nestes momentos encontrar uma solução que seja o menos dolorosa possível para todos ... o problema é que nestas alturas isso é impraticável ... mas tenta manter a serenidade para que a possas também transmitir à Inês ... sabes que estamos por aqui não é ????

    Estamos mesmo ...

    Beijinho Solidário ~:o)
  6. Blogger Abelhinha posted at agosto 16, 2005 11:18 da tarde  
    Meus queridos,

    Muito obrigada a todos pelo apoio e carinho que aqui me deixaram.

    Certamente que tudo se vai resolver da melhor forma, para a Inês, e o que é melhor para ela é o melhor para mim.

    Um beijo para todos com muito, muito mel.
  7. Blogger Al posted at agosto 18, 2005 2:10 da manhã  
    que atrevimento o meu de ousar uma opinião nesta questão delicada que desconheço. De comum, só o facto de também ter filhos. E felizes os filhos que podem ter a sorte de terem uma mãe e um pai. E a única coisa que não se deveria fazer é lutar para que passem a ter (presente) só um deles. E por muito que pareça civilizado, os juízes não decidem melhor que os pais. Para não falar na questão dolorosa e ridícula de perguntar à criança com qual deles quer ficar (penso não ser ainda o caso da Inês). É claro que é com os dois... ainda que dormindo umas vezes aqui, outras ali. Conversem, entendam-se, pelo amor que ambos, de certeza, têm pela Inês. Mães. pais e filhos: laços eternos. Que sejam os melhores então. E o tempo muda tanta coisa, outras, dificilmente apaga.

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