domingo, julho 24, 2005

Almoço de Domingo

Fomos almoçar à casa do nosso pai. Eu e os meus 2 irmãos. No almoço além de nós, estava a minha madrasta, o meu meio-irmão de 4 anos e o filho da minha madrasta. Estavamos lá... cada um a representar o seu papel numa família onde não se reconhece.

A Inês gosta de ir brincar com o tio. Afinal têm quase a mesma idade.

É estranho porque não sinto o meu irmão como irmão, nem o meu pai como pai dele. Sinto o meu irmão como sobrinho e não gosto menos dele do que dos outros dois, mas há algo que é diferente.

Cresci com o Zocus e o Drocus. Foi com eles que discuti, foi por eles que me envolvi em cenas de "pancadaria", foi com eles que fiz disparates, foi com eles que negociei castigos, foi com eles que os partilhei... foi com eles que partilhei os últimos 25 anos da minha vida.

O Gafa mal o vejo. Ele não pode ficar sozinho comigo e com o Zocus e o Drocus. A Mãe dele não deixa. Como se podem criar elos à distância só porque o sangue que nos corre nas veias é metade igual? Como posso ultrapassar a questão de ele ser só metade meu irmão se me lembram sempre tal facto com requintes estranhos que nem sei descrever.

Mas passou-se o almoço. Correu bem. Não houve discuções idelológicas profundas que me deixam sempre de boca aberta.

A Inês ficou mais um pouco por lá. Fui buscá-la para jantar. Ao olhar para ela e para o Gafa pensei como para ela aquele menino não é Tio, mas o amiguinho que é filho do avô e com quem ela adora brincar e com quem vai à piscina e acampar.

Posted by Marília Pamies - Cake Designer at 8:09 da tarde

8 Comments

  1. Blogger Mocho Falante posted at julho 24, 2005 11:51 da tarde  
    São os eternos domingos em familia, ainda bem que correu pelo melhor
  2. Blogger Icaro posted at julho 25, 2005 3:56 da tarde  
    è estranho quando olhamos para pessoas que são (total ou parcialmente) do nosso sangue e nos perguntamos o que temos em comum com elas afinal.
    È estranho quando achamos que esses "familares" afinal não estão lá para nós, e surpreendentemente algumas pessoas "de fora" estão.
    Mas é algo com que todos aprendemos a viver...e a concluir que o sangue não é tudo na proximidade entre as pessoas.
  3. Blogger SaltaPocinhas posted at julho 25, 2005 4:31 da tarde  
    Toda a gente fala em 2famílias alargadas" como se fossem a melhor coisa do mundo. Eu cá por mim sempre tive as minhas desconfianças em relação a esses "alargamentos". existem porque tem de ser, as vicissitudes da vida levam a isso, mas ainda acho que não há nada que chegue à familia tradicional, sempre os mesmos com os mesmos defeitos e qualidades...
    Também tive um domingo em família, mas a minha felizmente vai-se mantendo igual!
  4. Blogger SaltaPocinhas posted at julho 25, 2005 4:31 da tarde  
    Aspas em vez de 2
  5. Blogger Caracolinha posted at julho 26, 2005 9:01 da manhã  
    Olá minha querida ... desculpa a ausência ... nem sabes como te entendo ... sabes que também tenho uma família "em puzzle" e integrar as pessoas por vezes não é uma tarefa fácil ... pelo menos essa foi a minha experiência.

    Beijinho Encaracolado ~:o)
  6. Blogger Abelhinha posted at julho 26, 2005 9:48 da manhã  
    ainda n me consegui adaptar a este conceito de família, a minha experiência tem sido difícil, mas tenho não posso deixar que seja a InÊs a ter que se esforçar por esta integração quando gosta tanto do tio mais novo
  7. Blogger Quica posted at julho 26, 2005 12:04 da tarde  
    Olá. Desculpa estar a comentar no teu espaço mas, não resisti. É que no Domingo, comigo, aconteceu exactamente a mesma coisa. Fui almoçar a casa do meu pai, com um dos meus irmãos, a mulher do meu pai, o nosso meio-irmão, a minha filha que é da idade dele e um dos meus sobrinhos. Cada um a representar o seu papel numa "família" onde não se reconhece. Ao ler o que escreveste, senti muito do que tu sentes. Identifiquei-me imenso com o teu pensar. Também eu tenho muita dificuldade em sentir o meu irmão como irmão ou o meu pai como pai dele. Irmãos são os que cresceram e brincaram comigo e, no entanto, gosto dele. A única diferença é que a mãe dele não nos impede de estarmos com ele.
    Gostei de te visitar. Espero voltar. Bj
  8. Blogger AnaCristina posted at julho 27, 2005 12:49 da tarde  
    A minha família é uma família dita tradicional sem meio-irmãos nem madrasta... Mas com uma irmã que me deixa a pensar "Mas quem és tu afinal?"
    Não tenho qualquer afinidade a não ser sangue! Sinceramente, gosto dela... mas também gosto de chocolate. É a verdade!

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